As civilizações antigas continuam a influenciar nossas culturas e tradições até os dias atuais. Povos como os egípcios, gregos, romanos e persas deixaram marcas profundas na história, mas uma dúvida persiste entre historiadores e arqueólogos: qual foi, afinal, a civilização mais antiga do mundo?
Durante muito tempo, a resposta para essa pergunta era quase unânime: os sumérios. Localizados na antiga Mesopotâmia — região que corresponde ao atual território do Iraque — os sumérios desenvolveram uma cultura urbana e complexa por volta de 4.000 a.C. A cidade de Sumer, situada ao sul da atual Kut, deu nome a essa civilização, e muitos vestígios de sua história foram encontrados na cidade de Uruk, motivo pelo qual esse período é conhecido como “período Uruk”.
Contudo, descobertas mais recentes vêm questionando essa primazia. Evidências arqueológicas sugerem que outras culturas, como a egípcia e a do Vale do Indo, podem ter surgido em datas tão antigas quanto a suméria — e, em alguns aspectos, até rivalizarem em importância e complexidade.
O que define uma civilização?
Antes de entrar nessa disputa cronológica, é essencial entender o que caracteriza uma civilização. Embora o conceito varie entre estudiosos, há três pilares fundamentais: a urbanização, o domínio da agricultura irrigada e o uso da escrita. Os sumérios se destacavam justamente nessas três frentes.
Sumérios: pioneiros em muitos sentidos
Por volta de 2.000 a.C., a civilização suméria deu lugar ao império babilônico, que herdou e expandiu seus conhecimentos. Os babilônios foram responsáveis por avanços matemáticos notáveis, incluindo o uso de números primos e o desenvolvimento da trigonometria.
Além disso, os sumérios foram os primeiros a sistematizar a religião como uma instituição social. Seus famosos zigurates — grandes templos em forma de pirâmide escalonada — eram centros religiosos onde sacerdotes organizavam cultos a diversas divindades. Uma dessas divindades, Inana (também conhecida como Ishtar em outras cidades mesopotâmicas), teria influenciado a criação de figuras mitológicas posteriores, como a deusa Afrodite na Grécia.
Outro legado crucial é a escrita cuneiforme, considerada a forma mais antiga de registro escrito da humanidade. Por meio de símbolos entalhados em blocos de argila, os sumérios documentavam desde transações comerciais até questões administrativas e religiosas.
Egípcios e a disputa pela antiguidade
Apesar do destaque dos sumérios, há especialistas que colocam os egípcios em pé de igualdade. Philip Jones, curador do Penn Museum nos Estados Unidos, afirma que as civilizações egípcia e suméria provavelmente surgiram de forma paralela.
Enquanto conflitos armados dificultaram as pesquisas arqueológicas no Iraque, o Egito manteve escavações regulares. Isso permitiu a descoberta de inscrições e artefatos tão antigos quanto os mesopotâmicos, datando aproximadamente de 4.000 a.C., o que fortalece a hipótese de que ambas civilizações tenham florescido simultaneamente.
Vale do Indo: uma civilização surpreendente
Outro candidato ao título de civilização mais antiga é o povo do Vale do Indo, cuja cultura se desenvolveu em áreas que hoje pertencem ao Paquistão, à Índia e ao Afeganistão. As primeiras evidências desse povo datam de cerca de 3.300 a.C., mas arqueólogos não descartam a possibilidade de descobertas ainda mais antigas no futuro.
Segundo Philip Jones, é possível que rotas comerciais ao longo do Oceano Índico tenham facilitado trocas de recursos e ideias entre essas civilizações, contribuindo para seu rápido desenvolvimento. Essa rede de contato precoce pode ter sido um fator decisivo para o florescimento simultâneo de diferentes centros urbanos e culturais em distintas regiões do planeta.


