A gigante do streaming vive de altos e baixos, e as recentes atualizações do catálogo provam exatamente isso. De um lado, os fãs mal podem esperar por mais drama familiar de uma de suas séries favoritas, que já tem data para voltar e promessa de vida longa na plataforma. Do outro, uma nova produção badalada que tinha tudo para ser um sucesso, mas acabou derrapando feio na execução e frustrando o público.
O caos continua em Wellsbury
A aguardada terceira temporada de “Ginny e Georgia” desembarca na Netflix no dia 5 de junho. Criada por Sarah Lampert, a trama vai dar continuidade aos mistérios deixados em aberto, prometendo episódios ainda mais intensos. A série conquistou uma legião de fãs justamente por essa mistura muito bem equilibrada de comédia, romance e suspense.
A história acompanha a adolescente Ginny (Antonia Gentry), que vira e mexe demonstra ter muito mais juízo que a própria mãe, a intensa e enérgica Georgia Miller (Brianne Howey). Elas tentaram recomeçar a vida do zero na cidade de Wellsbury ao lado do caçula Austin (Diesel La Torraca). O problema é que o passado não costuma perdoar. As duas primeiras temporadas foram uma verdadeira montanha-russa de emoções. Vimos Ginny lidando com as novas amizades e os dilemas do colégio, enquanto Georgia se envolvia romanticamente com o prefeito Paul Randolph (Scott Porter) e tentava esconder seus esqueletos no armário.
A revelação de que a mãe assassinou o ex-marido Kenny para proteger a filha abalou profundamente a relação das duas. Isso levou a garota a fugir de casa com o irmão no fim do primeiro ano. Depois, a segunda temporada jogou ainda mais lenha na fogueira com o retorno de Gil, outro ex-marido problemático, e a perseguição de um investigador particular. O ápice rolou no último episódio: logo após finalmente oficializar sua união com Paul, Georgia acaba presa sob a acusação de assassinar Tom Fuller, deixando seus filhos completamente desamparados.
O que vem por aí para a família Miller
Os novos episódios vão focar diretamente nas consequências dessa prisão chocante. Ginny terá que assumir uma postura mais madura na marra para conseguir manter os pedaços da família juntos. Seu relacionamento cheio de conflitos com Marcus (Felix Mallard) também deve ganhar novos desdobramentos nessa fase turbulenta.
O elenco principal está confirmadíssimo para retornar, e embora a Netflix ainda não tenha batido o martelo publicamente sobre a quantidade de episódios, a expectativa é que a temporada siga o padrão de oito a dez capítulos. A melhor notícia para os fãs mais ansiosos é que a plataforma já garantiu a renovação da série para uma quarta temporada, mesmo sem uma previsão oficial de lançamento.
A grande decepção dos criadores de Stranger Things
Enquanto o drama da família Miller nos enche de expectativas positivas, o mesmo não pode ser dito do mais recente projeto dos irmãos Duffer. Lançada no dia 26 de março, a minissérie “Something Very Bad Is Going To Happen” entregou exatamente o que o seu título prometeu: algo muito, muito ruim.
Se fôssemos avaliar a produção com a acidez do Rotten Tomatoes, a nota dificilmente passaria de 40% de aprovação. A premissa até soava interessante. Rachel e Nicky decidem viajar para o interior de Nova York para celebrar o casamento na cabana da família dele. A expectativa geral era assistir a um suspense envolvente sobre uma cerimônia saindo dos trilhos. Em vez disso, o público é surpreendido por uma festa gigantesca, segredos familiares maçantes e um suposto ritual satânico que não faz o menor sentido.
Um elenco de peso desperdiçado
É difícil entender como um projeto encabeçado pelos criadores de “Stranger Things” e estrelado por nomes de peso como Camila Morrone e Adam DiMarco conseguiu ser tão difícil de assistir. Quase todos os personagens são insuportáveis. Rachel (Morrone) é uma garota órfã que fuma maconha e conheceu o noivo de forma inusitada em um aeroporto. Nicky (DiMarco), por sua vez, não passa de um playboy rico e narcisista que supostamente a conquistou com seu lado espontâneo.
Os parentes do noivo conseguem piorar a situação. A irmã, Portia, é irritante ao extremo, enquanto o irmão, Jules, é um cara bizarro com uma escalação de elenco bem duvidosa. A trama inteira é uma confusão sem tamanho. De repente, a mãe aparece doente com um tumor cerebral. Depois, a história joga na tela um velho assustador de 200 anos bebendo sozinho num bar e um boneco feito de galhos usando um vestido de noiva no meio da floresta.
Diferente da magia presente em “Stranger Things”, que sabia mesclar o sobrenatural com amizades adolescentes cativantes, essa nova aposta mergulhou de cabeça no terror dramático e falhou miseravelmente. O maior problema é a absoluta falta de identidade. Nos dois primeiros episódios, a atmosfera bizarra até consegue intrigar o espectador. Aos poucos, porém, os próprios personagens parecem esquecer quem são e passam a agir de forma completamente aleatória, tentando acompanhar as constantes mudanças de direção de um roteiro raso. A execução é falha, não existe um fio condutor lógico que conecte o primeiro ao último episódio e a diversão passou longe. Poupar seu tempo e pular esse lançamento é, de longe, a melhor escolha.

