A Nescafé, marca da gigante suíça Nestlé, revelou planos de investir mais R$ 500 milhões — cerca de US$ 88,5 milhões — até 2028 para ampliar sua capacidade de produção de café no Brasil. O anúncio reforça o compromisso da empresa com o país, que já havia recebido um aporte de R$ 1 bilhão no ano passado, consolidando o Brasil como um mercado estratégico para a companhia. Atualmente, o país é o terceiro maior consumidor mundial da bebida, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos.
O anúncio foi feito na última quinta-feira, 22 de maio, durante um evento para a imprensa. Os novos recursos serão direcionados principalmente à ampliação da fábrica da empresa em Montes Claros, no estado de Minas Gerais, além da expansão da presença das máquinas de café da linha “Nestlé Professional” em estabelecimentos comerciais.
Valeria Pardal, diretora-executiva da divisão de bebidas com café da Nestlé, demonstrou otimismo com o potencial do setor no país. “Nos últimos cinco anos, a categoria de café em doses da Nestlé cresceu cerca de 20%. Nossa expectativa é manter esse ritmo de crescimento”, afirmou a executiva, segundo declarações publicadas pela agência Reuters.
Apesar do otimismo da multinacional, os números do mercado interno de café indicam um cenário desafiador. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), as vendas no varejo caíram 5,13% nos primeiros quatro meses de 2025, totalizando 4,75 milhões de sacas de 60 quilos. A principal razão apontada é o aumento significativo dos preços.
O relatório da ABIC destaca que, embora o trimestre tenha começado de forma positiva, março já apresentou sinais de retração, com queda de 4,87% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Em abril, a queda foi ainda mais acentuada, atingindo quase 16% em comparação ao mesmo mês de 2024.
Esse recuo ocorre em meio a uma disparada nos preços do café, que acumularam alta de 80% nos últimos 12 meses — o maior salto registrado em três décadas. A elevação de preços impactou todas as categorias, com destaque para o café solúvel, que teve alta de 85%. Os cafés gourmet subiram 56% e os tradicionais, 50%.
Mesmo com o cenário adverso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um consumo interno total de 22,28 milhões de sacas no Brasil para o ano safra 2025/2026 (julho a junho), sendo 21,3 milhões de sacas de café torrado e moído e 980 mil de café solúvel. No entanto, o relatório ressalta que a inflação e os altos preços no varejo continuam sendo obstáculos ao crescimento do consumo, mesmo com a forte tradição cafeeira dos brasileiros.


