Os preços do café recuaram na quinta-feira, com o contrato de março para o café arábica (KCH25) fechando em queda de -3,30 (-1,00%) e o contrato de março para o robusta (RMH25) registrando baixa de -23 (-0,47%).
Exportações recordes pressionam o mercado
O mercado foi impactado negativamente pelo aumento recorde das exportações de café do Brasil. Segundo o Cecafé, em 2024, as exportações de café arábica do Brasil cresceram 20% em relação ao ano anterior, atingindo 37 milhões de sacas, enquanto as exportações de robusta dispararam 98%, alcançando 9,4 milhões de sacas.
Esse cenário contrasta com o otimismo inicial observado na segunda-feira, quando os preços do café arábica atingiram a máxima de três semanas devido à seca nas principais regiões produtoras. Dados da Somar Meteorologia indicaram que Minas Gerais, maior estado produtor de arábica, recebeu apenas 29,6 mm de chuva na última semana, ou 31% da média histórica.
Impacto do Vietnã e aumento dos estoques
Além do Brasil, o mercado também foi influenciado pelo aumento das exportações de café do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta. Dados da Alfândega Geral do Vietnã mostraram que as exportações de café em dezembro cresceram 102,6% em relação ao ano anterior, totalizando 127.655 toneladas. Com isso, os estoques monitorados pelo ICE atingiram recordes: os estoques de arábica subiram para 993.562 sacas, o maior nível em dois anos e meio, enquanto os de robusta chegaram ao maior patamar em três meses, com 4.415 lotes.
Oscilações recentes nos preços
Embora os preços tenham apresentado um forte rali no mês passado devido à previsão de uma safra menor no Brasil, o cenário de excedente global vem pressionando os valores. Em dezembro, a Volcafe revisou para baixo sua estimativa para a produção de arábica no Brasil em 2025/26, projetando uma queda de 11 milhões de sacas em comparação com a previsão de setembro, devido à seca prolongada. A produção estimada para o período é de 34,4 milhões de sacas, contribuindo para um déficit global de 8,5 milhões de sacas em 2025/26, maior que o déficit de 5,5 milhões previsto para 2024/25.
A consultoria Safras & Mercado também revisou para baixo a previsão de produção de café do Brasil em 2025/26, estimando 62,45 milhões de sacas, uma redução de 5% em relação ao ano anterior. A produção de arábica deve cair 15%, para 38,35 milhões de sacas, enquanto o robusta deverá atingir 24,1 milhões de sacas.
Condições climáticas afetam produção
As condições climáticas continuam sendo um fator crítico. A seca causada pelo fenômeno El Niño tem potencial para causar danos prolongados às lavouras na América do Sul e Central. No Brasil, a precipitação abaixo da média desde abril de 2024 prejudicou a fase de floração das plantas de café, reduzindo as perspectivas para a safra de 2025/26. Dados do Cemaden indicam que o Brasil enfrenta o período mais seco desde 1981. Na Colômbia, o segundo maior produtor de arábica, os impactos da seca também foram significativos, embora o país esteja lentamente se recuperando.
Robustas e as dinâmicas do Vietnã
O mercado de robusta segue pressionado pela menor produção no Vietnã, que registrou a menor safra em quatro anos na temporada 2023/24, com 1,472 milhão de toneladas, uma redução de 20%. Para 2024/25, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma ligeira queda na produção, para 27,9 milhões de sacas. Por outro lado, a Associação de Café e Cacau do Vietnã elevou sua estimativa de produção para 28 milhões de sacas.
Perspectivas globais de exportação
As exportações globais também atingiram níveis recordes, adicionando pressão sobre os preços. De acordo com a Organização Internacional do Café (OIC), as exportações globais de café em outubro, início da temporada 2024/25, cresceram 15,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, somando 11,13 milhões de sacas. No acumulado de 2023/24, as exportações globais subiram 11,7%, totalizando 137,27 milhões de sacas.
No Brasil, o Cecafé relatou que as exportações totais em 2024 aumentaram 30,2% em relação ao ano anterior, alcançando 46,3 milhões de sacas, reforçando a tendência de aumento na oferta global.
Conclusão
O cenário de exportações recordes e estoques crescentes continua pressionando os preços do café, apesar das preocupações com a produção futura devido às condições climáticas adversas. O equilíbrio entre oferta e demanda global será determinante para as cotações nos próximos meses.


