A Porsche decidiu elevar o nível do mercado de bicicletas elétricas com o lançamento de dois modelos de última geração que impressionam tanto pela tecnologia quanto pelo preço. Desenvolvidas em parceria com a renomada fabricante Rotwild, a Porsche eBike Cross Performance e a sua variante EXC chegam para ocupar o topo da linha da montadora alemã. O custo, no entanto, é salgado: o modelo de entrada parte de US$ 14.250, o que se traduz em cerca de R$ 70.000 na conversão direta. Esse valor coloca a bicicleta no mesmo patamar de preço de muitos carros populares zero quilômetro no Brasil.
Embora a base técnica seja a eBike Cross, presente no mercado há dois anos, as atualizações são substanciais. O coração dessas máquinas é o novo motor Shimano EP-801 mid-drive, alimentado por uma bateria de 630 watts-hora, garantindo fôlego de sobra para encarar trilhas pesadas. A grande novidade fica por conta da transmissão de 12 velocidades, também da Shimano, que incorpora as tecnologias AutoShift e Free Shift. Na prática, isso permite que as marchas sejam trocadas automaticamente conforme o terreno, sem que o ciclista precise sequer pedalar naquele momento. Para completar o conjunto, a suspensão foi entregue à Fox Factory, com um garfo 34 Float na dianteira e o amortecedor Float DPS na traseira.
Para quem busca exclusividade total, a versão EXC oferece algo a mais por US$ 15.350 (passando dos R$ 75 mil). A diferença aqui é puramente estética, mas significativa para os fãs da marca: o modelo pode ser personalizado com seis cores originais do programa Porsche Exclusive Manufaktur, incluindo tons icônicos como o Ruby Neo e o Mamba Green Metallic, aproximando a experiência da bicicleta à de comprar um esportivo da marca.
O renascimento finlandês da Pole Bicycles
Enquanto a Porsche aposta no luxo consolidado, outra fabricante europeia ressurge das cinzas focada em performance bruta e engenharia de precisão. A Pole Bicycles, que foi forçada a declarar falência em 2024, está de volta ao jogo. O fundador Leo Kokkonen readquiriu a propriedade intelectual da marca e reiniciou as operações em Jyväskylä, na Finlândia, com uma proposta clara: produzir bicicletas de altíssimo padrão usinadas em CNC com liga de alumínio 7075.
O primeiro projeto dessa nova fase é uma e-bike que promete dar o que falar, equipada com o sistema de propulsão Maxon Air S. Após extensos testes, Kokkonen optou por essa unidade motriz relativamente obscura, mas impressionante, que pesa apenas 2 kg e entrega brutais 90 Nm de torque com picos de 620 W de potência. A eficiência energética do motor, estimada em 85%, permite extrair o máximo de uma bateria leve de 600 watts-hora, removível pela parte inferior do quadro. A geometria da bicicleta mantém a identidade visual da Pole, baseada nos modelos anteriores Onni e Sonni, com o característico braço oscilante elevado, mas com ajustes finos na curva de alavancagem. A suspensão promete ser generosa, com 180 mm de curso, podendo ser adaptada para variar entre 160 e 200 mm.
Engenharia curiosa: A bicicleta de rodas triangulares
Saindo da alta performance de mercado para a engenharia experimental, o mundo das bicicletas continua sendo palco para invenções inusitadas. O canal científico The Q, conhecido por reunir engenheiros norte-americanos em projetos fora da caixa, revelou uma bicicleta com rodas triangulares. A criação surge logo após o mesmo grupo apresentar um modelo com rodas quadradas, que se provou funcional, porém lento e limitado.
A versão triangular, contudo, representa um avanço interessante nesse tipo de experimento. Diferente de sua antecessora quadrada, a roda triangular consegue girar de fato, ainda que exija um esforço considerável nas pedaladas. O segredo para que o veículo não trepide violentamente está em uma solução criativa: os engenheiros adicionaram um braço mecânico flexível que oferece suporte e tração, permitindo que a rolagem aconteça de maneira fluida, compensando a geometria angulosa das rodas. É um exemplo de que, na mecânica, até o que parece impossível pode funcionar com o ajuste certo.


